vacas, sinas, enigmas, imagens, sons, cheiros...

escrevo o que bem (ou mal) entender.

15 Novembro, 2009

Baixo da porta.

   Meu querido ,

    Passei por aqui propositalmente. Percebi logo vazio, mas há urgência em mim e o que eu devo dizer é agora, então tratei de lhe deixar saber do modo que pude... bom, seria um verdadeiro desaforo te esperar (mais).

   O começo é uma anedota: por volta das onze horas d'uma noite de sábado, eu estava tomando cerveja com uma amiga, quando chegou uma mensagem no meu celular me convidando para sair e dançar. A minha vontade era mínima, mas algo se deu junto com o álcool dentro de mim e eu cantei para ela: "ah, vai que hoje eu conheço o homem da minha vida...!".


   Não quero demorar. Daqui a pouco você deve chegar com alguém por aqui.
   E é isto.
   Eu desisti de você. Primeiro desisti de te entender, depois de te ter só comigo, depois de te procurar e agora eu desisto de todo .

   Se por algum motivo você se sentir de qualquer maneira desconfortável em relação a isto, apenas deixe passar. Eu desisti de você hoje. Hoje eu desisti de você.

01 Novembro, 2009

flash!

     o meu melhor ano novo foi aquele em que muita coisa não saiu como planejado a luz acabou convidados de último minuto chegaram a comida saiu o telefone tocou me fazendo acreditar em toda e qualquer palavra ditos por um homem mais velho a bebida estourou a minha roupa se perdeu e por alguns segundos eu me esqueci, desaprendi que era apenas mais um dia mais um ano mais um ser tão. naqueles valiosos pedacinhos de tempo eu tive certeza de estar ali em todo lugar. com um gosto bom.

25 Outubro, 2009

Estes.

     Já faz um certo tempo que tenho vontade de escrever direcionadamente a duas pessoas que me vieram em vontades de tempos distintos, mas não costumo ter muito tato pra isso, Isa, sempre acabo achando que um bem-casado e um beijoeabraço cairia, Higor, melhor e por isso.
     Acontece que ando parado ando com dificuldade; eu retirei aquele meu tumor benigno de uns textos atrás e, como toda perda, tá um pouco latente doloroso. Então sei que quando estiver recuperado, muito dificilmente eu os encontrarei, porque eu nunca tenho tempo pra ver certa gente por quem tenho muito estimo e no entanto está longe numa certa espécie de rede segura de desapego.
     Isadora.
     Higor.
     Vocês não se conhecem. Me conhecem de formas desiguais, mas acabamos nos encontrando assim, meio no meio do nada. Você apareceu no meio dos meus primeiros ensaios do segundo semestre do segundo ano d'um curso que mudou o meu curso; nem cinco, oito minutos estávamos cantandorindo indo em direção ao "Fama na estrada". Você estava sentado, lendo, quando eu e mais dois atores o interrompemos por aproximadamente doze minutos por conta d'uma pesquisalaboratório. Você sufocou e fez sorrir, tempo depois quase desmaiou, chorou, nos comprometemos com aliança de papel todo sábado e mais. Você me disse certeiras palavras sem ter ideia do quê, era jogando uma corda me puxando para o espaço vão em ar livre no Sol. Olha, você tinha tantas coincidências... porque eu te olhei e ouvi a sua voz com um outro tato que me tirou de toda aquela batucada do outro lado da Avenida, era uma espécie de mimesis torta, exato, você era o que eu mais precisava naquele tempo, só que torto, o que acabou lhe tornando tão mais necessárioprovidencial. Sabe, quando nós entramos no elevador eu percebi que por muito tempo aquilo se repetiria, não necessariamente em elevadores, mas em dores, cenas, encontros, telefones, escritas, quitutes, risadas, risadas. Cachos. Me fez lembrar, enxerguei o que havia feito de tanto impulso e estratégia numa combinação exaustivamente desequilibrada. A gente virou adulto junto no final daquela linha. Ouvimos os três sinais. Certas palavras e endereços você solfejava grotescamente, me carregando junto pra tanto lugar não-lugar enquanto eu observava gotinhas de suor na sua testa. Você falou pra mim com tanta aderência sem se dar conta. Você nunca mais vai sair da minha memória de palco, de coxia, de palco, de risadas, de risadas.
   Você dificilmente mais me vê. Você sempre me encontra porque fazemos questão de nos permitir o acaso.
   Vocês se econtram na minha memória.
   Vocês têm significância em mim.

03 Outubro, 2009

in S. Bernardo

O que eu desejava era ter uma certeza e acabar depressa com aquilo. Sim ou não. (...) Era justamente o que me tirava o apetite.(...)
Meu Deus! Mas se eu ignoro o que há em mim, se esqueci muitos dos meus atos e nem sei o que sentia naqueles meses compridos de tortura! Já viram como perdemos tempo em padecimentos inúteis? Não era melhor que fôssemos como os bois? Bois com inteligência. Haverá estupidez maior que atormentar-se um vivente por gosto? Será? não será? Para que isso? Procurar dissabores! Será? não será?
(...)
Seria? não seria?
Insignificâncias. No meio das canseiras a morte chega
(...).

23 Setembro, 2009

De portão.

Eu não gostei daquela série "Alice", da HBO. Apesar da fotografia e das imagens lindas de São Paulo, não me convenceu. E a culpa é dos atores do núcleo principal, extremamente mal treinados e/ou dirigidos.

No entanto tem um final de episódio que eu sempre gosto de assistir.

20 Setembro, 2009

O que tenho a ver.

Tenho um exercício diário: andarCorrer. É. Sempre todos os dias durante quarenta e cinco minutos mais menos eu ando en ritmo acelerado quasesempre estimulado musical. Depois por menos quinze vinte no máximo minutos eu corro demais respirando mantendo. Isso tem me ajudado. A emagrecer, esquecer, lembrar do presente, sonhar, acordar, refletir, flertar com. . Mas existe sempre um momento crucial; um que se não se dá e acontece e quando se dá e não acontece eu não consigo me dar por completo no exercício de diário: é encontrar um dente-de-leão. E quando eu encontro eu me apaixono. E quando eu me apaixono eu sopro. E quando eu menos espero eu jogo tudo pro alto. Algum vêm em contato com as minhas peles e eu não paro de andarCorrer.

Porque sem. Cem. Sempre é. Assim; . Sempre bom saber: a vida é saber jogar tudo pro alto. Mesmo se você nunca esquecer.

19 Agosto, 2009

compasso quartenário

como quem não quer nada desceu a ladeira movimentada.
turvos. neons.atentava a cada vulto.
o diabo estava logo na esquina amassando um pão.
entrou à esquerda. abriu a porta enquanto o mundo se atormentava ali fora e dentro de.
entregou uma encomenda; das que se podem dizer mais íntimas.

ele estava soprando. tinha medo de qualquer resposta e pavor d'um espaço vão.
ele estava soprando friozinho, assim como aquele cravo no peito com menos tons avermelhados, que era a saudade num ponto de ônibus.
então fez o caminho de volta que não foi nem o mesmo e nem o contrário.
agora todos os dias espera não esperar ele nada.

26 Junho, 2009

o meu tumor benigno.

Três anos e cinco meses atrás, eu estava subindo numa mesa, prestes a ficar em posição completamente reta e cair me deixando ser resgatado por mais ou menos vinte pessoas. Antes de me erguer, uma dor aguda no joelho esquerdo impediu o movimento. Perguntei ao professor se poderia parar e não consegui dobrar nem esticar mais a minha perna. Algumas horas depois descobri que a causa do meu sofrimento era a mesma que tinha me salvado, na última instância, de prestar o serviço militar; um osteocondroma no meu joelho esquerdo: um tumor (benigno) ósseo, ou seja, um osso a mais que tenho na parte de trás do meu joelho, perto do final da batata da perna, do tamanho de um limão.

Com o tempo percebi que era questão de dobrar demais, principalmente se eu tivesse algum peso em excesso, para ficar engessado por 15 dias. Eu tive que aprender a hora de parar, aliviar, esticar. Tempo, gessos e alguns traumas de movimentos e passei a conseguir colocar tudo de volta no lugar, sozinho, na hora.

Todos os médicos que consultei; os especialistas em osteocondromas, os ortopedistas, os terapeutas corporais, os clínicos gerais, até os dançarinos acabaram me aconselhando o mesmo: tirar. Pelo o que me informei não é algo complicado, trata-se de fazer um corte na região e "serrar" o osso a mais, assim o retirando. A recuperação é relativamente rápida e tranquila, saio do hospital depois de 1 dia andando e permaneço uns 15 dias maneiro e 1 mês fazendo fisioterapia.

Acontece que agora eu sei como lidar com um limão de osso a mais dentro de mim, talvez eu até tenha criado um certo apego. As vezes eu penso que a operação pode dar errado e eu ficar sem uma perna. Isso sim seria insuportavelmente modificador. Um tumor benigno é benigno. Mas me impede movimentos de dança e limita o meu objetoCorpo de trabalho.

Tenho evitado os exames pré-operatórios. Me convenci de que o melhor para mim é tirar o tumor, mas tenho medo porque de certa forma, é pedaço de mim que se criou enquanto eu crescia e sua retirada pode implicar em consequências desagradáveis, assim como pode resultar em um limão de osso a menos que me livra muito mais.

Amanhã darei um passo corajoso: o exame para ver se continua tudo igual e que permite marcar a fatídica data. É que eu acabei adquirindo um certo desgosto, percebi que a grande maioria das pessoas ao meu redor tem um limão de osso que insistem em preservar. Lidei com o meu, aprendi a pegar mais leve, identificar a minha coluna no movimento espiral, centrar mais os pés no chão e controlar o peso. Este tumor benigno até me salvou da obrigatoriedade militar.

Este tumor benigno não tem mais nada a me ensinar.

21 Junho, 2009

eu te amo

e você não tem nada a ver com isso.

25 Maio, 2009

Domingo, 24 de Maio. 23:54

A atendente da Parada Graal Itatiaia me olha. Tem pupilas negras e um olhar chocolate amargo. De maneira cautelosa, aflita, contida numa secreta felicidade, ela me diz: "Caiu alguma coisa".

16 Maio, 2009

chips de madeira.

Tenho uma mania irritante: sempre acabo deixando juntar uma pilha desconfortável de roupa numa poltrona branca que tenho no meu quarto. Depois de um tempo, normalmente numa manhã de sábado, isto seria umas duas da tarde, eu começo a reorganizar todas as peças e as recoloco no devido lugar, sempre cantarolando algo.
Este ritual costuma demorar o tempo justo, não sei qual é, mas sempre sinto que foi o necessário para a poltrona. Depois que eu a vejo nova de novo gosto de me aconchegar, ler algo que seja significativo pra mim, que mude o trem da minha voz. E quando encerro, penso só. Costumo olhar pela janela os fios dos postes entre fios de sol e folhas. E flores.. Então, sem me dar conta, acabo por falar baixinhosereno algo que tenha vindo a concluir. Logo em seguida eu sinto vontade gasta de que algo aconteça, me torno completamente incapaz, por alguns segundos ou mintos, de viver o presente do presente. E falo, no trem mudado da minha voz, o que eu desejo profundamente.
Então me dou conta de que o que eu falo ali não acontece.
E aí eu me corrôo por dentro.
Não, eu não me corrôo por dentro. Porque naquele presente é um nada por dentro.

27 Abril, 2009

.

"Quando o Rafael era pequeno nós sempre tínhamos que entrar nas piscinas de bolinhas.

Oi?

Ah, Medo?

Não, ele ia sozinho.

Mas sempre acabava mergulhando de cabeça e depois precisava que alguém fosse lá e lhe resgatasse."

19 Abril, 2009

último fragmento


18 Abril, 2009

penúltimo fragmento.

Um questionário que respondi para uma amiga que acaba de ingressar num curso técnico de teatro.
1. Com relação ao curso, como você avalia a metodologia de ensino?
A metodologia, em teoria, é coerente. Segue os princípios de interpretação de Stanislavski, principalmente nos primeiros semestres do curso, a qual é passada pelos professores. No entanto, acho que as aulas de interpretação deveriam ser mais longas e frequentes, para que fosse possível dar mais atenção a cada aluno individualmente, principalmente no início do curso, que é um momento extremamente delicado no que diz respeito ao aprendizado do "método" do Stanislasvi. As aulas de corpo deveriam ser mais frequentes e além da técnica básica passada nos primeiros semestres, a técnica de Alexander, a escola poderia prover também aulas de conceitos mais básicos de corpo.

2. A estrutura da escola (sala de vídeo, salas de aula, biblioteca) contribuiu para uma boa formação? Comente:
Sim. Mas nem todas as salas comportam bem todos os alunos fazendo as atividades, além de faltar espaço para ensaiar fora da aula, o que é fundamental para o ator e o aprendiz de ator.

3. Atribua uma nota relativa ao curso de 0 a 10. Justifique:
6,0. A escola tem uma estrutura boa, bons e dedicados profissionais, mas pelo fato de ser paga, algumas vezes acaba por deixar que questões institucionais interfiram na arte produzida pelos alunos e diretores.

4. Qual a disciplina que você mais se identificou? Por que?
Interpretação, por ser a que trata da base do trabalho do ator.

5. Qual a disciplina que você encontrou maior dificuldade? Por que?
"Análise e Interpretação do Texto Teatral", por ser ministrada por um professor incapaz de passar 20% do conteúdo básico de tal matéria.

6. Durante o curso você sentiu falta de algum complemento para sua formação de ator?
Sim. A matétira citada acima, muito mais trabalho de corpo e voz, (principalmente trabalho individual de voz).

7. Qual foi o maior obstáculo ou medo durante o curso?
Lidar com o outro, tanto no processo, quanto como platéia colaborativa.

8. Realizou ou atua em algum trabalho artístico paralelo ao curso?
Sim. Alguns filmes de curta-metragens e projetos de direção de faculdades participando como ator.

9. Como e onde foram desenvolvidos seus estágios? Teve alguma dificuldade e como a resolveu?
Não houve grandes dificuldades.
Os curta-metragens foram realizados por alunos das faculdades FAAP, Senac e Sta Marcelina.
Os projetos de direção foram realizados no Centro de Artes Cênicas na USP.

10. Descreva como foi o processo de montagem e o resultado segundo seu ponto de vista:
Minha turma optou, junto com o diretor, por adaptar um livro, "Um Retrato do Artista Quando Jovem", do James Joyce. Mas acontece que não somos exatamente um grupo. Embora este seja um curso profissionalizante; com um processo de seleção para o ingresso dos alunos, cada um, ou cada pequeno agrupamento de pessoas, se matriculou na escola com um objetivo diferente: “ser ator profissional”, “ver o que rola”, “buscar um aprofundamento do entendimento do meu eu e do outro”, etc. Somos um conjunto de pessoas relativamente numeroso que em consenso, mas não em unanimidade, escolheu realizar, durante os últimos 7 meses, este árduo e delicado trabalho. O que é ser artista? Quais propostas dialogam com a escrita de Joyce num palco? Como se dá a criação? Para responder a estas e tantas outras questões tivemos que nos experimentar. Foi preciso estudar, nos condicionar, fazer sacrifícios, passar por crises, trabalhar muito. Eram desafios que nos propusemos a enfrentar quando escolhemos o texto e o tipo de trabalho que queríamos. Sabíamos que seria de grande responsabilidade de todos os envolvidos no projeto e que ninguém passaria imune a ele. Apesar de todas as dificuldades encontradas, temos orgulho do trabalho. É um fruto, ainda não completamente amadurecido, de muito esforço. No começo do semestre concordamos em fazer um trabalho que utilizasse o espaço do teatro de uma forma diferente, criar uma linguagem diferente sem ser novidadeiro, a nossa inquietação inicial foi esta e deu origem aos fagmentos apresentados. No final das contas, acreditamos sim que ninguém que participou deste processo saiu dele imune. E esperamos que quando as pessoas fossem assistir a peça pudessem compartilhar um pouco desta sensação. A mesma sensação que tivemos quando lemos as palavras do Joyce pela primeira vez, a mesma sensação que nos foi causada por cenas criadas a partir de 17 atores e um palco vazio.

11. Qual a perspectiva da turma após a formatura? Pretendem continuar trabalhando juntos?
Havia muita vontade de continuar. No entanto, alguns desistiram, entre eles, o diretor.

12. Você já possui uma área na qual pretende se especializar?
Ator. De Teatro. De Cinema. De Televisão e Publicidade, porque muitas vezes é preciso.

13. Além da formação de ator, você possui ou pretende obter outra formação acadêmica? Qual é a sua prioridade e qual a relação entre elas?
Curso Letras. Creio que é uma área que dialoga muito com o Teatro. Minha prioridade sempre será o Teatro. As Letras me dão prazer em estudar outras coisas que dialogam com as artes cênicas e me abrem um leque maior de profissões.

14. Houve mudança na sua visão de mundo após a formação de ator? O que?
Sim. Nós abrimos mais os olhos. Para o que se acontece em nós mesmos, nos outros, na rua e em casa.

15. Sofreu algum tipo de preconceito quando optou por fazer teatro?
Não.

16. O que é ser ator? Você se vê nessa condição? Sente-se preparado para o mercado de trabalho?
Ser ator é fazer o outro ver o invisível, uma profissão extremamente delicada e árdua. Infelizmente, não reconhecida como deveria ser no país em que vivo. Me vejo como um aprendiz que está tentando voar entre estas redes.

17. Você está conseguindo se manter no mercado de trabalho?
Mesmo depois de formado continuo estudando, fazendo testes e vendo peças. Fiz alguns trabalhos profissionais, peças publicitárias, mas se dependesse destes para viver, provavelmente não estaria respondendo a este questionário agora.

10 Abril, 2009

hey, hey hey...

Existe neste exato momento em que datilografo palavras sinceras uma sensação febril, um calor a mais que não chega a exatamente incomodar. O sinto como algo que me confortará pelas próximas horas em que me encontrar rememorando texturas gostos sons cheiros tatos humores.

08 Abril, 2009

um pouco do que carrego nas costas.

de coração. sem incômodos. sem longos padecimentos. sem aviso. é assim que eu gostaria. e é assim que eu espero que as pessoas mais queridas. porque elas não percebem direito. a gente não se prepara e lembra das nossas garantias. às vezes eu me lembro. e aí eu esqueci que eu vou. que nem. e a minha família sempre do jeito que eu mais quero, que mais combina comigo e como eu imagino que realmente será: de coração. sem incômodos. sem longos padecimentos. sem aviso. é assim que eu gostaria. e é assim que eu espero que as pessoas mais queridas, porque elas não percebem direito enquanto a gente não se prepara e lembra, logo depois de um toque de trombeta, das nossas garantias. de coração.

• te echo de menos, abuelita.

05 Abril, 2009

hug me.!

Ao contrário do que plenamente acreditei, eu não sei de cor quais os quês dos quais e poréns.

Você me leva para jantar, me faz mistérios, faz com que eu acredite, é sincero verde azul anil, diz com olhos, paga a minha conta, me esconde, me mostra, me leva até, suspende, liga, desaparece.

E eu não acreditava em. Eu me machuquei com. E eu estou aprendendo.

Now, please, just hug me! And give me peace on earth.

02 Abril, 2009

inércia.

Quanto tempo demoro para dar uma volta na rua onde moro é o suficiente para se cantar uma melodia chorinho chamado Odeon. Para se pensar na razão, espírito, pensamento, naquele curado por Deus, no Joyce, no palco, nas tarefas acadêmicas, no Mário do Macunaíma, em o que eu devo fazer. E para curar impulsos do coração.

29 Março, 2009

"Where do we go from here?"

Domingo. vinte e nove de março. de dois mil e nove. meio dia e trinta e um.
Acordei há mais ou menos uma hora e vi uma mensagem no meu celular.
Comi sucrilhos de leite moça com leite desnatado assistindo a um trecho de "hell's kitchen".
Coloquei algumas contrarregragens.
Acessei minhas coisas da internet.
Fui pegar meu iPod pro banho e quando olhei de novo no meu celular: Domingo. vinte e nove de março. de dois mil e nove.

Hoje é o último dia. De intermináveis leituras. de ensaios. de ensaios. de ensaios. de brigas. de risos. de broncas. de cenários. de partituras. de tentativas. de criações. de poucomaisdetrêsanos. Não importa se vamos continuar ou não. Esta peça com este elenco nesta temporada acaba hoje.

E eu não estou triste. nem feliz. nem decepcionado. muito menos nostálgico ou magoado. Mas talvez comece a sentir uma solidão do tipo que não experimentei antes.

Me "formei". Agora é rua.

Eu agradeço silenciosamente. E sorrio.

- 3º sinal.

Domingo. vinte e nove de março. de dois mil e nove. meio dia e trinta e seis.

27 Fevereiro, 2009

quando encontrar um dente-de-leão no caminho.

Eu aprendi:
quando achar um dente-de-leão no caminho: arrancá-lo da grama. sentir sua textura. imaginar as imagens que ele formará no vento e assoprar logo. girar bastante. deixar ir um pouco no meu rosto.
e quando eu não vir mais nada eu canto.

• para Polen.

12 Fevereiro, 2009


04 Fevereiro, 2009

Monólogo Interno: 8MA NO CU!?

"Rafael, vocês deveriam fazer um bolão: com quantas pessoas esta peça irá estreiar?". Concordo.

Agora me ajudem a entender algo: se um ator abandona um ensaio no meio, sem dar a menor explicação, falta nos próximos dois, faz com que todos os outros atores se virem para o substituir, atrasa um importante ensaio geral e depois volta do nada, ele deve explicações, tanto para os outros atores quanto para o diretor. Ele deve explicações. É isso ou eu não aprendi nada em 6 anos?

prontofalei.

29 Janeiro, 2009

vento de outono 02:20

Uma tela branca. agradabilíssima de convidativa pra riscos rabiscos rascunhos errantes. É assim que eu agora acho que todos os atores deveriam encarar cada ensaio milimetricamente marcado. Mesmo com lutos íntimos, náuseas, pernas doloridas, hematomas escondidos, egos inflados e bocas secas. Mesmo com a angústia da fala quase decorada, do frio da contraregragem, da goteira na coxia, com o medo de se despir, a vontade de cair. Criar.

25 Janeiro, 2009

Caio Fernando Abr(eu)

"Olha, eu estou te escrevendo só pra dizer que se você tivesse telefonado hoje eu ia dizer tanta, mas tanta coisa. Talvez mesmo conseguisse dizer tudo aquilo que escondo desde o começo, um pouco por timidez, por vergonha, por falta de oportunidade, mas principalmente porque todos me dizem que sou demais precipitado, que coloco em palavras todo o meu processo mental (processo mental: é exatamente assim que eles dizem, e eu acho engraçado) e que isso assusta as pessoas, e que é preciso disfarçar, jogar, esconder, mentir. Eu não queria que fosse assim. Eu queria que tudo fosse muito mais limpo e muito mais claro, mas eles não me deixam, você não me deixa"

24 Janeiro, 2009

Tiny Vessels.

Seu nome é seco. Mas tem cor. Lembra uma fruta difícil de se colher na época certa, quase impossível de se fazer doce, que amarra a boca se não estiver no ponto. Cores chamativas. Tenho um pé de. no meu quintal. Os passarinhos gostam de quando nasce, cantam mais do que o normal atrapalhando meus estudos e me chamando pro sol. Leãozinho.

20 Janeiro, 2009

vento de verão 12:12 a.m.

hoje foi um dia bom hoje. a noite está agradabilíssima. e os ensaios estão rendendo cada vez mais. e "eu sei que vou ser coroado rei de mim".

16 Janeiro, 2009

Na travessia.

Minhas duas pernas estão extremamente doloridas, especialmente minha coxa esquerda e minha batata da perna direita. Meus braços também.

Tenho tido desejos irrefutáveis de entrar em cena, de ajudar a contar a história, de mostrar a minha maneira de.

Estou cansado, apenas quando chego de voltas. Tento escrever sem ler, decorar, à la japonesa.

Tensor no joelho esquerdo.

Escova e pasta de dentes na mochila. Uma barrinha de chocolate. 4 garrafas de água. E um retrato do artista quando jovem.

Bagagens.

05 Janeiro, 2009

Retomado.

"- Você é o Dedalus né?

- Sim. Eu e mais 4 atores. 2 caras e 2 meninas.

- Todo mundo é o Dedalus?

- 5 atores são o Dedalus. O Stephen Dedaus. Isso dialoga com a linguagem do Joyce, a coisa do fluxo de consciência. O livro é todo uma memória e a memória é incerta, pessoal: não é o que foi, mas o que você acha que foi e isso tem a ver com o Stephen não ser um só, mas ser o do presente, o do passado, o do que ele lembra do passado e o do (que ele espera ser no) futuro. E o narrador de tudo isso. O elenco tem 20 pessoas. Dessas 20, 5 são sempre o Stephen e os outros se revesam nos outros personagens, sendo que alguns destes são fixos. Mas os 5 stephens não são "definidos", entende? Tipo um que faz o passado, outro que faz o presente, etc... todos os Stephens são Stephen."

31 Dezembro, 2008

No, no no ...

Eu quase escorreguei na mesma calçada escorregadíssima que me fez cair no asfalto quente em. Por pouco não fiz um oito, no mal sentido da curva. Pretendo mais chorinhos com bandolim em cadeiras verdes confortáveis de madeira. Tenho me tornado cada vez mais Capricorniano com ascendente em Leão. Cada vez mais Capricorniano A cada ano - os vinte e dois mal se iniciaram dia vinte e três e já me demonstraram. E eu estou adorando.
Um salto de bailarino é pura técnica pura, treinamento. Como o de um cão. O que interessa de verdade a todos os espectadores e intérpretes, mesmo que alguns não assim reconheçam, é o que se cria nos milésimos de segundos do salto no ar. Assim como as imperceptíveis pausas entre uma nota e outra na mais singela melodia do piano. Ou do bandolim. Ou dos xilofones. São as cores que vemos antes de mesmo percebermos que elas existem. E assim pretendo tentar mais.
Eu percebo significativas em maturação, se manifestarão entre um salto e outro quando menos se esperar para nos colocar de forma nova no retorno ao chão.

17 Dezembro, 2008

Tathagata.

É o que é. E ponto. O presente. O que já foi. O agora. Que agora é pretérito. Ponto. .
Pisando no acelerador vendo mais cores na cidade virada em ângulo obtuso passamos por calçadas becos viadutos cafés cervejas cores luzes são luzes reconhecidas faces recorrentes pingos pinga música novos homens que foram descansar o coração tentando completar o passo no compasso quartenário de melodias tonais ocidentais viste como me vesti e já me despi de cores por encontrar tecidos mais brancos amassados leves e um vento passa por mim e. Tathagata. É o que é. Foi e eu fui. Fluí voei saltei sem salto e proteção arrisquei e presenteei presenciei abracei cantar uma música pensando apenas nas palavras que emito fazendo com que a melodia seja natural consequência dos meus atos. É isso o que tenho procurado.

08 Dezembro, 2008

post-it


Para ouvir e em algum momento ler abaixo....





























Talvez uma boa resolução para 2009 seja padecer menos e reconhecer mais (caso haja algum tipo de controle meu sobre).

07 Dezembro, 2008

"acho q pensamos demais em coisas que nem são nossas, ainda."

- Liha, aqui, há quase 3 anos.

04 Dezembro, 2008

Ciclo Básico.

Um amor desiludido desapercebido, alguns quilos a mais, luto, quitutes da Dona Deôla, descobrindo "Brothers and Sisters", recomeçando as aulas do Célia inesperadamente com o diretor mais almejado, conhecendo Schiele, mergulhando em Tennessee Williams, bebendo cerveja, fugindo para buracos sujos, tentando esquecer, lavando roupas, quebrando ondas, tomando sol, comendo no PF. Foi assim que eu entrei na usp sem querer querendo. Não participei do trote, havia passado no noturno e queria mudar pro matutino pra não mudar de turma no Célia, por isso não me animei em conhecer ninguém. Consegui. A primeira semana me irritou. Odiei mais da metade das pessoas com quem cruzei. Odiei a minha professora de Linguística e me esforçava desumanamente para ouvir o que o de Estudos Literários sibilava enquanto todos lutavam contra o ventilador que nos mantinha humanos dentro de um cubículosala. Sozinho nos correrodres. Desejando que a Liha voltasse logo da França. Aí um dia eu conheci melhor a Nat e apareceu a Naná, me propiciando mais sorrisos risadas reconhecimentos peripécias sinfonia de nozes manhãs acordadas. Tudo melhorou. Mas era tarde para eu me esforçar academicamente, já havia começado a me debruçar mais ainda sobre o T. Williams e Candy me tomava. O final de semestre foi marcado pelos meus inúmeros acessos ao Jupiter (o sistema ótimo da usp que temos que usar para ver as nossas notas, nosso histórico escolar, nos matricularmos e outras coisas dessas) para ver se tinha fechado tudo. Fechei com 5 em tudo menos Linguística, que peguei recuperação e reprovei. As férias passaram voando, a peça aconteceu e eu comecei a me desp(ed)ir. Foi assim que começou meu segundo semestre.

Consegui trocar de professores, prestei uma prova fracassada de transferência, me alegrei mais pelas manhãs, algo surgiu de algum chakra meu e acordei todos os dias às cinco e meia para correr. Me despedi de alguns quilos, de horas de ócio, de angústias da formatura do Célia, de amores. Certo dia estava em direção a uma nova universidade, mais ensolarada, mais minha e um motoqueiro morto na Raposo fez com que eu ficasse parado no trânsito por 1 hora e muitos minutos. Acabei perdendo a minha aula preferida que era no primeiro horário, o que me fez decidir assistir a mesma no segundo e perder uma outra. Ali entrei num ambiente conhecido com novas pessoas ao redor. Aí um menino me olhou. E eu comecei a reparar que sua boca era manga, sua camiseta era azul-do-tom-que-mais-me-agrada, seus cachos eram cachos e ele me olhava como uma vez creio eu ter olhado pra certos que vieram à minha garagem, ou me ajudaram com livros perdidos. Ele me seguiu no final da volta quando a Liha me desviou e eu o perdi. Troquei de olhares e horários e um Rafael que antes estava tranquilo começou a se desgastar excessivamente com insinuações incertas. Tomei atitudes (in)discretas, me senti rejeitado e tentei esquecê-lo até o dia da prova em que ele apareceu e me pareceu tão feio e apático que eu não pude entender como fui capaz de gastar tanta saúde com. Algum tempo depois numa festa um amigo comentou algo que me fez ver toda a situação sem romantismo e percebi que tudo poderia ser resolvido agradavelmente e sem muitas palavras num box em algumas das tantas vezes em que ele me seguiu até me ultrapassar e beber água durante tempinho perto de portas estratégicas. A Linguística continuou sendo complicada, os estudos literários tomaram muito mais conta de minha atenção e os Clássicos me ensinaram a lidar com eles. Foi um segundo semestre vivido, estudado, dedicado, foi a partir de Setembro que eu realmente entrei numa universidade. Conheci um outro garoto que repentino me fez acreditar que... depois de muito tempo... mas não. E outras mais se sucederam, como tantas não registradas aqui.

Eu hoje estou no meu segundo dia de férias, rumo ao segundo ano, com sono, bravo porque o blogger apagou um texto que eu gostei, achando este desagradável, ouvindo Chris Garneau, esperando, pausando e encarando. E...

27 Novembro, 2008

Padecendo (ainda) com "Grande Sertão"

"(...) sempre que se começa a ter amor a alguém, no ramerrão, o amor pega e cresce é porque, de certo jeito, a gente quer que isso seja, e vai, na idéia, querendo e ajudando; mas, quando é destino dado, maior que o miúdo, a gente ama inteiriço fatal, carecendo de querer, e é um só facear com as surpresas. Amor desse, cresce primeiro; brota é depois."

Prazer, Diadorim.

22 Novembro, 2008

"Uma Forma de Despedida"

"Esta é uma despedida. É um aceno de quem vai ganhar distância o modo que o olho agora, sabendo o que você ainda não sabe, a minha saída do seu mundo. Ao beijá-lo, estou colhendo de volta todas as palavras que depositei em você, e tecendo numa língua estranha um epitáfio.

Esta é uma despedida e, se você soubesse ler a escrita da pressão do meu corpo sobre o seu, saberia disso. Dispo-me como se me vestisse, acaricio seu rosto como se fosse erigido de areia, retirando a camada frágil do amor que ali acumulei. Enquanto você procura significados na minha pele e engana-se, bebendo dos meus cheiros, eu seguro a sua cabeça e, lenta e pesarosamente, introduzo na sua nuca o punhal da minha ausência.

Esta é uma despedida e, quando escutar, no seu ouvido beijado com afeto, o meu último suspiro, já terei ido embora das terras novamente secas do seu espírito."

- Conjurado por Prospero di Milano.

16 Novembro, 2008

Poesia bruta.

a vida é essa.



"And if you ever leave before I wake
I will follow you in dreams,
a snake around your feet, your arms, your neck.
Sleeping in your hairy day, chasing all your fears away at night.

Nothing's right and nothing's wrong,
just as long as you will stay.

But if you decide to disappear, disappear without a trace.
Don't save a single kiss for me.
I will search and found a thousand seas to drown my memories of you.
Swaying hair like seaweed
Dolphins wear you smile.
Fishes' lips as soft as breasts.

Everything weighs less in water, even grief
So if you want to leave me,
leave but do it just the way a tear drops into the sea ."

- Peter Verhelst and Ultima Vez -

E se por acaso você partir antes de eu acordar
Eu te seguirei nos seus sonhos
uma cobra por entre os seus pés, seus braços, seu pescoço.
Aliviando o seu dia confuso, caçando todos os seus medos à noite.

Nada é certo, nem errado
Desde que você fique aqui.

Mas se você resolver desaparecer, desapareça sem deixar rasto atrás.
Não guarde sequer um beijo para mim.
Eu vou procurar até achar mil mares para afogar as lembrnças que tenho de você.
Cabelos lânguidos como as algas
Golfinhos escavam seu sorriso.
Beicinhos de peixes, macios como seios.

Tudo pesa menos na água, até a mágoa
Por isso, se você quiser partir,
Vá em frente
mas vá exatamente como uma lágrima vai de encontro ao mar.

Tudo a declarar

Foi um sábado vomitado. Parecia não suportar mais as agonias, as feridas físicas, as feridas metafísicas, as dores no corpo, os distintos cansaços, as preocupações que lutaram bravamente com a preguiça... Lá pelas 10 e pouco da noite eu decidi encarar um dos entulhos que estavam me atrapalhando tanto nos últimos tempos: o meu quarto-chiqueiro. E eu acredito que arrumar o quarto é uma etapa pra arrumar tantas coisas mais. Resolvi, durante o processo, deixar um papel-e-caneta em lugar estratégico e declarar o que acontecesse.
Eis:

─ Começo: 22h e 36
♫ Vonda Shepard - "Walk Away Reneé" - bruscamente interrompida (???) por "Spice Up Your Life"
• 22:52 - finalmente vou devolver o figurino da Candy p/ a Tê. Deu uma sensasãozinha nostálgica quando dobrei tudo e enfiei numa pequena bolsa de roupas.
◘ 22:58 - pequena pausa para ver se [samba]. Não. Mas a Carô respondeu meu scrap do "Origami"! ﺕﺕﺕ=)
"E no fim de tudo que há na Terra ... Ninguém sabe o que eu sofri". Tava tocando..
- 23:02 : tinha me esquecido da camisa florida que eu herdei das filmagens! =)
• 23:05 : Acabei a parte das roupas. Tocou "Boo Hoo" e começou "Terceira Margem do Rio".
- SACOLAS CÊNICAS (adereços) a serem esvaziadas: 3 cheias =S
• 23:07 - "Escrevi versos para ela novamente depois de dez anos..."
• 23:09 - guaches coloridas e serpentinas
• 23:12 - última sacola: a da oficina da Casa Laboratório. Resquícios de um naufrágio.
• 23:18 - [samba]. A gente imagina tanta cena só de dobrar uma capa de chuva...
• 23:23 (beijo o relógio) : começa a parte mais basfônica: a escrivaninha.
-23:35- KT Tunstall - "Throw Me a Rope"
23:36 - Àquele dos literários e azul-camino-real: Acabo de rasgar (minha mãe me interrompeu me oferecendo chocolate) o papel com seu nome completo e suas matérias.
- 23:39 - correspondências do consulado espanhol.
- as peças curtas do Tennessee Williams do semestre passado. Nós realmente lemos um bocadinho ("Lady Vaselina"; "Esta Propriedade Está Condenada"; "Auto da Fé"; "Demorado Adeus"; "A Mulher do Gordo"; "Contando Estórias Tristes das Mortes dos Travestis"; "A Carta de Amor de Lord Byron"; "Cocaloony City"; "Lembranças de Bertha"; "O Caso das Petúnias Pisoteadas" (nem lembro dessa!); "O Mais Estranho Idílio"; "Meu Último Relógio de Ouro Maciço"; "Essas São As Escadas Que Você Deve Vigiar"; "Escape"; "Mister Paradise"; "O Grande Jogo"; "O Quarto Rosa"; "Obrigada, Bom Espírito"; "Verão no Lago"; "Por Que Você Fuma Tanto, Lilly?"; "O Palooka"; "O Matadouro Municipal"; "Adão e Eva Numa Balsa")
- 23:47 - achei o cartão da advogada que tá cuidando do processo aqui em SP. Boa!
- 00:30 - longa pausa. agradabilíssima(s) conversa(s). [sorriso]
- 01:02 - Caralho! Eu tô com o DVD do "Tio Vânia em Nova Iorque"!
- 01:05 - Acabei a escrivaninha ! Faltam alguns papéis ótimos serem organizados.
- 01:40 - it's over, baby!

É bem provável que agora eu consiga de fato reler "Um Retrato do Artista Quando Jovem", me curar das minhas berebinhas de stress, de fato começar o meu trabalho de Estudos Literários, esquecer (des)importâncias desnecessárias e seguir. Ah! E dormir um pouco mais. E melhor.
¡Buenas!
¡besos!
=)

13 Novembro, 2008

MSuN

- oiii!!!
- oi, linda! td bem?!
- bem e vc?
- bem também. trasformando, acho.... eu voltando a ser... to filosófica.
- e eu tô com dor de barriga... :S
- ai; que meleca.
- literalmente, mas deixa pra lá...!
- ixi... não vamos aprofundar essa questão.
- justamente.
- quanto mais a gente cresce mais percebe que é só ou é só comigo ? joguei.
- quanto mais a gente cresce mais a gente descobre que não sabe de nada. e isso talvez dê sensação de solidão.
- acho que é isso.

04 Novembro, 2008

"Às vezes uma agitação febril se acumulava em seu íntimo e o levava a perambular de noite sozinho pela avenida silenciosa. A paz dos jardins e as luzes generosas nas janelas derramavam uma força amena sobre seu coração inquieto. A algazarra das crianças brincando o aborrecia e suas vozes tolas faziam-no sentir, ainda mais intensamente, do que sentira em Clongowes, que era diferente dos outros. Não queria brincar. Queria encontrar no mundo real a imagem quimérica que sua alma contemplava tão constantemente. Não sabia onde ou como a procurar; mas uma premonição que o fazia prosseguir dizia-lhe que esta imagem iria encontrá-lo, sem nenhum ato premeditado de sua parte. Eles se encontrariam tranqüilamente como se tivessem se conhecido e tivessem marcado um encontro, talvez em um dos portões ou em algum lugar mais secreto. Estariam sozinhos, cercados pela escuridão e pelo silêncio: e naquele momento de suprema ternura ele ficaria transfigurado. Ele se diluiria em algo impalpável sob os olhos dela e então num instante estaria transfigurado. Fraqueza e timidez e inexperiência o abandonariam naquele momento mágico." - James Joyce in "Um Retrato do Artista Quando Jovem"

02 Novembro, 2008

Aqui.

- Por que você sempre tem maquiado o seu olho?
- Pra esconder meu machucadinho.
- Aonde?
- Deixa pra lá...

25 Outubro, 2008

Ao rés do chão.

Tambores saltitantes cintilando no horizonte de uma rua calma. pôr-do-só.
Tenho, silenciosamente, ficado puto da vida no teatro.
Tenho, absurdamente, vivido peripécias e reconhecimentos e peripécias acompanhadas de reconhecimentos.
Tenho uma faca e um dente-de-leão nas mãos.

Provavelmente me saio melhor nos caminhos atônitos, embora continue usando palavras meio pães-com-ovo aqui. Mas também aqui é meu.

E é isso, por hora.

03 Outubro, 2008

An!?

Algum algodão doce veio voando veloz pelos trilhos de tijolos amarelos até que encontraram cachos, olhos grandes e marrons, boca medidamentecerta grande, uma calça jeans azul escura, tênis preto, mão quadriculada, leve estrabismo, camiseta azul-camino-real, semi-sósia de ator.
Ele se chamava, tinha uma idade, pesava, media e escondia.
Entre cachos cantos quinas quereres e errantes rastros confundiu-me como uma bolha de sabão, desentendendo desentendimentos atônitos.

28 Setembro, 2008

Do naufrágio forçado de volta pra casa.

Acordei por volta das 8 e meia da manhã sozinho. Tomei um chá de erva doce e me lembrei que o porta malas do meu carro estava cheio. Tirei todas as bóias, cadeiras, toca, mochila e lixos de lá. Comecei a ficar docemente melancólico. E resolvi estudar linguística.
Nos últimos dias eu escrevi um livro. Só meu. "O Livro dos Dias", baseado nas experiências, descobertas, demonstrações, aprendizados de 80 horas de oficina... tanta coisa nova para um ator novo... mas me desculpem, tudo que me tocou tanto, dessa vez, vai ficar só comigo.

10 Setembro, 2008

Há 15 minutos.

Quando éramos um pouco mais novos, eu um amigo e duas amigas costumávamos vir na minha casa em algum domingo para fazer o que chamávamos de "Domingo especial". Eu tocava e cantava algumas músicas no piano para eles, nós tirávamos fotos (mais ou menos umas 100), comíamos, fofocávamos, ríamos... éramos tão inertes em nossas pequenas brincadeiras que se transformavam em grandes eventos, sonhos, catarses que às vezes costumávamos filmar com câmeras de tirar fotos digitais, enfim, o dia que costuma ser um martírio pela semana que se acaba era como um pequeno carnaval particular para nós quatro, às vezes cinco.
Numa época em que estávamos no terceiro colegial e que para mim a escola era apenas uma espera para o teatro de sábado e o que pudesse acontecer no domingo, eu os chamava de gotas de sol, o que se transformou numa canção um tempinho depois.
Às vezes eu sinto falta dos domingos especiais... Hoje cada um de nós vai à sua faculdade, tem seus compromissos de adultos, precisa estudar, trabalhar, relaxar, fazer estágio e não pode aparecer 15 minutos no aniversário de alguém querido. Sem perceber, nós acabamos nos tornando apenas amigos que não perderam totalmente (ainda) o contato e se vêem de vez em quando, uns mais outros menos; e as "gotas de sol", que antes eram 3, agora são todos os meus amigos, já que eu não quis jogar esta expressão fora embora hoje ela seja muito mais genérica e menos refulgente.

06 Setembro, 2008

Me and you and everyone we know.

Às vezes eu tenho a leve impressão de que não passamos de enormes bolos de carne dotados de alguma estupidez que dizem ser uma tal de "humanidade".
Se Deus existisse e eu pudesse me encontrar com ele lhe daria um tabefe por ter criado uma geração inteira de criaturas tão mesquinhas.

29 Agosto, 2008

Sóbrio.

"W" estampado em algum lugar da presença, cachos, azul claro, literários, palavras muito amigas de muito amiga, físico, potência, pazes, enfim, calmarias.

23 Agosto, 2008

Eu deveria estar lendo um conto.

Eu tenho um péssimo hábito: adiar.
Sabe, essa é uma coisa ruim de escrever: eu tinha tudo o que queria dizer, aí desaparece quando eu digito a primeira palavra e é aí q eu deveria conseguir adiar o máximo possível para conseguir colocar tudo aqui. Aí eu não consegui. Era um texto sobre a minha aflição em adiar quase tudo, sobre uma auto-sabotagem inconsciente e tal. Sei lá.
Todo dia quando acordo me sinto como se a minha garganta fosse um vinil riscado. Passo um perfume agradável atrás das minhas orelhas enquanto estou preso no trânsito e tento esquecer um pouco, adiar. A maioria das pessoas que estão ao meu redor parecem me olhar com um julgamento pejorativo sem motivo aparente. Às vezes me sinto como um criminoso ainda não revelado. Olhares de admiração me metralham agora com fedor vinho. Pessoas antes indiferentes me olham como se eu tivesse feito xixi nas calças. Até mesmo...
Ah, se você acha que esse texto é sobre você, caso você ainda venha aqui, não é, mesmo.
Existem coisas concretas indefinidas acontecendo comigo que estão me matando.
Eu realmente não sei o que se passa.
Acho que eu deveria falar quando eu devo falar.

10 Agosto, 2008

Escracho da aldeia.

Fiz um login no meu blog pra escrever algo procê.
O azul claro do orkut trouxe um céu avermelhado.
Pois não achei nada mais ou nada menos pra dizer.
E eu fechado quis cabar logo essa nena de viado.

28 Julho, 2008

"Mr. Paradise e outras estórias tristes de Tennessee Williams"

Saudades. 10 peças curtas de Tennessee Williams.

"Mister Paradise"
"Algo Que Não É Falado"
"A Mulher do Gordo"
"Verão No Lago"
"O Quarto Rosa"
"Por Que Você Fuma Tanto, Lilly?"
"Demorado Adeus"
"Auto Da Fé"
"Lembranças de Bertha"
"Contando Estórias Tristes Das Mortes Dos Travestis"

07 Julho, 2008

Uma modinha de viola de pano.

Dentro de uma caixinha de sapato existi alguns cheiros para nunca mais sempre: tinha talco da abuelita, Rexona azul de joatinga, Off de ilhabela, colônia do Cebolinha de sexta série, suor de jogos pelo time da escola, axilas de alguns garotos, juntas dos joelhos de joana, pancake e Karina do camarim, colônia daquele pescoço contra a parede, alho refogando no azeite de domingo com pais e mais um tantão...
Quando ele foi embora, enquanto eu escolhia que cheiro me acompanharia no meu sono-simulacro, liguei o secador de cabelos e o mergulhei nas cobertas. Mesmo sozinho fui dormir bem aquecido e de manhã tinha cheirinho de afeto.

19 Junho, 2008

Nena.

Nena tinha muito medo de pisar em tampas de bueiros.
Um dia se apaixonou pelo padeiro do outro lado da rua e ao atravessar com seus olhos em saltos vermelhos nem reparou que no meio da trajetória havia um grande bueiro sem tampa. Nena caiu. E virou nena.

08 Junho, 2008

Cuidado.

Está consumado para mim de mim mesmo: eu não tenho a coragem de um vira-lata para admitir a qualquer um ao meu redor de que lhe gosto sinceramente em momentos lúcidos ou de desculpas. Quero uma lã vermelha para tricotar um cachecol a cada um que me perturba tão sincera, precisa e carinhosamente.

31 Maio, 2008

Quanto tempo

"Candy says: I hate the big decisions that causes endless revisions in my mind."

Preguiça se confunde com injúria.
O dia está frio.
As minhas costas estão doendo.
Ele nem ela me ligaram.
E eu preciso me preparar para um ensaio.
E ainda tenho que começar aqueles dois trabalhos.



Escutarei uma valsa.

20 Maio, 2008

Lombada.

Ele estava soprando dentes-de-leão numa tarde ensolarada sem suor e nem havia percebido.

11 Maio, 2008

Volver.

Ele ouviu o toque de campainha enquanto estava tentando compor uma nova valsa (embora ele ainda acreditasse na semelhança absurda de valsas e por isso mesmo gostava tanto de criar novas). Pensou em não descer do seu banco, imaginou que a encomenda, ou o pedido de doação, ou alguma visita inesperada pudessem esperar mais algum compasso. Quando percebeu que talvez ali se instaurara uma fermata, decidiu por ir até a porta conferir a esperada surpresa cotidiana. Ao abaixar a maçaneta não enxergou nada à sua volta e nem em frente à casa. Resolveu caminhar até o outro lado da rua alaranjada para conferir melhor. Só pôde enxergar as casas e árvores de sempre. Quando voltou percebeu que esmagara algo de cores vivas bem em frente à sua porta, um objeto pequeno e intenso. Alguém deixara um delicado origami para ele, uma frágil caixinha de música de melodias avermelhadas. E ele descobria naquele momento uma nova valsa.

06 Maio, 2008

Cumpleaños.

Eu não consegui: tive que escrever algo, pois a data realmente não passou em branco.
Gostaria de ter levado flores.
Me culpei por não estar presente no ano passado.

E reconheço que ainda continuo sentindo falta da minha abuelita, principalmente quando volto do teatro e passo tão perto do caminho para a sua casa, o meu refúgio agradável nas tardes de segunda feira. Aquela rua circular meio escura, cheia de árvores e algumas flores, que agora tem um cocô de concreto atrapalhando a manobra de virada.

O moletom branco será usado amanhã e eu prometo a homenagear com singelas flores assim que puder com calma.

Eu reconheço e admito que continuo sentindo falta da minha abuelita.

02 Maio, 2008

... Uma dor doendo na minha cabeça.

Tem uma dor doendo na minha cabeça. Eu não consigo saber ao certo quando começou. Muito menos especificar a causa. Pode ter sido a peça ruim que assisti, ou a friagem que peguei. Talvez tenha ouvido e gritado demais. Ou então, gritos que guardei. Não foi a cerveja, eu hoje não bebi. Provavelmente eu esteja ficando muito tempo de frente para telas de plasma, essas também dão dor de cabeça.
A dor de cabeça não tá mais doendo na minha cabeça. Eu não consigo saber ao certo quando terminou. Muito menos especificar o remédio.
Você já reparou que o amor é uma intensa dor de cabeça?

20 Abril, 2008

Ponto de ônibus.

Um cravo branco no peito com menos tons vermelhos. Era isso a saudade. E esse era eu. E esse é você.

11 Abril, 2008

Ai, (c)ata-me!

Às vezes a gente tem que comer bastante cocô pra conseguir chegar em algum lugar um pouco mais decente.

09 Abril, 2008

!

"It’s never safe for us, not even in the evening."

08 Abril, 2008

Felizes erramos nós.

Eu estava divagando dirigindo quando a canção tocou. Tive vontade de lhe beijar. Fazer retorno. Sorrir mais de perto de novo. Deixar aquelas melodias tonais tomarem conta de tudo que me acontecesse à volta. O meu telefone tocou. Pela primeira vez eu não abaixei o som do rádio para falar ao celular. Até dizer a terceira frase.

Tenho gosto de café na boca, mas tem fim.

01 Abril, 2008

... de Abril.

Gostaria de aproveitar a data para lhe dizer sinceras mentiras: eu não quero abandonar os nossos segredos, eu não gostaria de sentir falta do seu cheiro, do seu sexo, dos seus poros. Quero lhe telefonar o mais breve possível e é extremamente provável que eu o faça logo após escrever tudo isso. Não me esqueci de nenhum dos seus endereços e sempre que passo perto de algum sinto sabiá no meu peito. Gostaria de lhe fazer feliz como antes sem as despedidas sem fim. Sei que se contém quando me encontra, quando desvia-se nos pseudo-sons. Eu quero lhe dizer que você está com um aspecto cada vez mais forme, bonito, atraente e isso me deixa ligeiramente decepcionado, já que o intervalo de tempo em que não nos bailamos é o mesmo em que você se enfeita. Talvez seja porque eu é que deixei de enfeitar você. Ou queiramos nos armar novas surpresas, novos convites inusitados, novos papéis, novos números de telefones, novos quartos trancados, novas valsas.

26 Março, 2008

Àquele.

Você não precisa temer nem se preocupar com qualquer manifestação de ressaca furiosa ou coisa parecida: na minha casa existem um tanque, roupas sujas e cds com trilhas do Almodóvar.

22 Março, 2008

Oito.

Estive me escutando em movimentos veementes; novos, a minha coluna estava respirando de outra maneira e até o mais simples piscar de olhos acabara de ganhar novos tons. Vi olhos azeitona, olhos ameixa e os recebi como um acorde menor. Uma moça conhecida dos ares de sempre me deu um abraço, desses de extrema deferência. Sentíamo-nos como uma delicada intensa gota de luar. Desapego; desapego. Sentei-me no banco velho e confortável do carro. Dei partida. E voltei pra casa depois de mais uma. Aula.

15 Março, 2008

Diva.

Sempre lhe disseram sobre o perigo de andar de preto. Por isso, ele tomava muito cuidado com o que vestia, principalmente nos dias nublados. Aprendera que o importante era apenas refletir e tentar não absorver, já que havia tomado a consciência do natural comportamento bêbado de gente. Certo dia avistou um girassol no meio do caminho ordinário. Pensou em pegar algumas pétalas e passar em seu rosto furado no fundo por ferrugem e poluição. Pólen cairia bem. Mas o girassol foi apagado bruscamente por um transeúnte anti-hóspede. O girassol virou rosa murcha. E ele, assougue no centro. Se encontra no cemitério municipal com o pseudônimo do seu documento de indentidade.

14 Março, 2008

Maruja.

Tenho sentido falta da minha avó.
Não consigo mais ver senhoras na rua, no teatro, nos filmes, nas filas do pão, na feira, nas músicas, nas aulas, nas pinturas como antes.
Lasanha tem outro gosto. Quero entrar em seu apartamento.
Um moletom branco está no meu armário e eu costumo vesti-lo em dias que o considero necessário. Penso que quando eu uso o moletom branco eu a levo pra ver como andam as coisas.
Eu queria lhe mostrar a lista do vestibular com o meu nome, o meu primeiro trabalho de veiculação nacional, a peça sobre a guerra na espanha, o meu musical mais acabado, as minhas novas peças de piano.
Eu tenho sentido falta da minha abuelita.

09 Março, 2008

Adiós. (Males de família).

Era uma adorável tarde de Domingo. Eu estava confortavelmente sozinho, esperando ter mais fome para almoçar com mais gosto e me sentei em meu piano. Momentaneamente uma música tomou conta dos meus pensamentos e eu tive que procurar as cifras para poder tocar e cantar o mais rápido possível. "14th Street". Em uma das partes mais líricas da canção o telefone de casa tocou.
...
E a minha vida nunca mais foi a mesma.

08 Janeiro, 2008

Não fez.

Eu descobri o quão rebaixador pode ser um sorriso singelo seguido de um elogio sincero. Garotinho traquinas.

"bonne année!"

Quando me dei conta, estava num quarto de hotel tomando champagne francês com as pessoas mais amadas enquanto pensava em tantas outras que não estavam ali pra por hora ou pra sempre.Eu estava num estado dilatado; melancolicamente feliz como um cubinho de açúcar que absorve o café quente.Eu estava satisfeitíssimo por mais um ano de número ímpar ter ido embora.

01 Outubro, 2007

"bó! mira...!"

casa vermelha; casca. passinho passão. marrom do cheiro úmido, tronco de árvore. verde. calor bom. brisinha de girassol. sol. cai um raio. cai um raio e acaba.


eu acho que vai demorar pra tocar "14th street" no piano de novo.

adiós, abuelita!

16 Setembro, 2007

Sim, pois não.

dedilhado delicado violão cênico. voz ardente quente sem calo. barracão. bangalô, jeito nobre.
luz quente.
prédio de vidro azul. encena. boca.
retrocedida. sem decidida.




.
"no dia em que ocê foi embora eu fiquei sentindo saudade do que não foi."

22 Agosto, 2007

Hoje seria uma festa...

Quando nos vimos pela primeira vez um garoto correu no meio de espigas de milho; em vão.
Quando nos t(r)ocamos foi o carnaval e os blocos sem ensaio saíram em simples sons quentes.
Ao nos desp(ed)irmos, vento; milhos; velas; cozinha e cama.
Mas acabamos por descobrir que as épocas transformam, vêm, vão... e vão. Em vão.
Como o garoto.

É, meu amor, eu não lhe mandarei flores em seu aniversário.
Boa sorte!

14 Agosto, 2007

2:22

seja quem for, que pe(n)se com afeto dos mais quentes.
eu queria te desvir(tu)ar.
te reen_cantar.
te magnetizar... de gris-amarelo-roxo.


eu queria.e quero.vocês.enfeitar.
cachos.
nariz.
boca.
olho.

"quero sua boca no meu rosto sorrindo pra mim."

turbu(lento).

é tanto ao mesmo tempo que fica um nada.

11 Julho, 2007

Fumaça de amora.

Cheiro azul; banco confortável; vidro abertinho. Quarta marcha. Aqui, outro lado pesado! Ânsia agridoce. Espirro-suspiro-morango-silvestre.
Cheiro azul; banco girassol. Vidro-aberto-cubomágico . Porta-orvalho-na-primavera. Ponto morto.
Cheiro vermelho-opaco. Mentinha. Vidro-bloco-de-gessopintado-de-amareloalaranjadotexturizado. Fala-folha-de-hortelã. Cosquinhas saltitantes. Primeira marcha.
Cheiro roxo-lilás. Rua opaca. Quarta. Vidro. Chuva sem cheiro. Fechado. Conforto quente.
Cheiro vermelho. Desvio doce. Rodovia magra.
Cheiro. Casa.
Eu.
Ele.

03 Julho, 2007

hum...!

Sem exemplo concreto é que se vê a você.
Eu sonhei com alguns de seus...
Sonhos silenciosos.
Quem sabe é o tempo
Mas nos encontraremos no infinito, tenho quase que certo.
Então é.
Provável.
E você.
Como eu, assim...
Sem véu, quisera eu;
Amável.
Nós caminhamos
E só nos encontraremos no infinito
Embora nos vermos tanto...
Hum...!

03 Junho, 2007

pequena síntese da lógica comportamental.

- Rafa, você odeia todos os caras que te dão pé na bunda?
- Não, eu odeio os que se casam e os que me aliciam. [não, é só um jeito de não admitir que me maxuquei feio.]
(...)
- Eu sei que você vai ficar preocupado. (...) Eu acho que essa energia sexual toda vem é de você. (...) Por que? Você não gosta?
- Não...! [sim, adoro].

12 Maio, 2007

no ar da terra.

{como se fossem os últimos, mesmos sabendo que ali ninguém pisa}

sapatos vermelhos, roxos, amarelos-ouro, alguns verdes. neve de muito antes e sol laranja com céu amarelinho. andam com cautela até que resolvem parar. e permeabilizar. e rodar. e cantar. e trepar. a valsa alegre acompanha com a sanfona, os batuques, os violinos agradáveis e os ciprestes de orvalho-mel. deita-se sobre os girassóis, o suor se confunde com o orvalho-mel. e recebem a noite-dia-noite-dia-noite até que chegam homens mais velhos. e aprendem. entre-si-lâminas. e há tônus, há verde, roxo, amarelos-ouro, alguns vermelhos e outros vedes. neve de muito antes e sol laranja com céu amarelinho...

06 Abril, 2007

não importante como muitos outros.

Eu não deveria começar a escrever aqui agora.
sonho-de-valsa francês mineiro carioca de cheiro jasmin.


[samba-rock].

Eu não devo escrever aqui. Agora.

11 Março, 2007

dejà vu em tons.

som estalado nos tímpanos; água fresca; gelatina; passo pesado me carrega; azul; pasta; texto; mochila; embreagem; tranca; banho de nostalgia. nossa, mudou. cadê todo? e a fileira? aonde estão os roda-moinhos de milho? e as azeitonas? e a oncinha? e o cachorro bonachão? e as duas águas vivas? quem são essas estranhos? por que tanta gente nova? que sa;;; nossa, hottie. tem mi. fileira. lebre-simulacro. puxa-saco. carro.

precisava rever o que me fazia feliz.
e revi.
n
a
d
a mais.


"o amor já desvendou nosso lugar e agora está de bem." -


que saudade das músicas de "Ventura".

do outro lado do sétimo andar (ainda) faz-se baile. é que a vaca nunca vai pro brejo.

23 Fevereiro, 2007

processo .. .

eu nunca mais vou escrever sobre aquilo.
dá azar.

pontoparágrafo.


se eu soubesse há um mês e meio de hoje, o seu atual não seria assim e o meu também, mas você nunca se mostrou como agora e eu jamais poderia imaginar que você seria capaz de tal proeza...

"And I have the sense to recognize that I don't know how to let you go."

30 Janeiro, 2007

(pausa na expectativa pelo vestibular)

Eu me irrito e lhes desejo apenas uma grande dádiva, meus pequenos dois (ou três)(ou quatro)(ou cinco) queridos: Sumam.

[mágoa instantânea]

26 Janeiro, 2007

coisas que não vou deixar de me perguntar por 10 dias

- eu vou passar?
- será que eu gabaritei a prova de aptidão?
- e o da rua de chuva?
- e akellen?
- e a doutora?
- e a travesti?
- e o nei?
- ai... o analista não, né? será...?
- quem serão os 25?
- será que eu vou morar com a doutora e o da chuva?
- o da chuva vai me ligar?
- como vai ser?
- pra onde eu vou ir?
- se no manual fala que a nota global da 1ª fase tem peso 2, então eu tenho que multiplicá-la por 2, mesmo que ela valha 120 e as outras valham 60? tomara... tomara...
- quantos dias faltam, mesmo?

"-quanto tempo...
-pois é, quanto tempo.
-me perdoe a pressa, é a alma dos nossos negócios
-ó, não tem de quê, eu também só ando a cem
-quando é que você telefona? precisamos nos ver por aí...
-pra semana prometo, talvez nos vejamos... quem sabe...
-quanto tempo...
-pois é, quanto tempo..."

14 Janeiro, 2007

suspiro [desabafo] poético.

cacheados.

12 Janeiro, 2007

entre

- onde foi parar aquele balão vermeleho que nunca tinha fimdear?
- o vi nas redondezas ontem.
- acordei antes do galo hoje e nada...
- estranho
- mas ele volta... lembra quando ficou 4 meses sem nada vermelho por aqui?
- até que era bom!
- é, mas eu gosto do vermelho.
- eu também, mas ele arde nos olhos.
- ô...!
- e como!
- e como!
- ... trouxe um livro pra você.
- qual? interessante... depois você pega lá em casa, tá? porquesenão, eu roubo.
- mais o quê?
- passa em casa...
- olha, o balão...
- bem disse que ele volta.
- como ele nunca perde esse brilho? parece de filme.
- talvez seja mesmo.
- talvez você queira é me ver...
- na tv, como já tinha dito
- era isso o que eu ia dizer.

28 Dezembro, 2006

Aos trancos e barrancos

eu me lembro do da rua ao lado com a chuva, faço 20 anos, me preocupo com o que não deveria e jogo descaso em cima de pedregulho.

quem disse que o ano acaba quando dizem que "deus" quer?

"devolve aquela minha tevê, que eu vou de vez."

sono...? só quando inconveniente.


queria escrever sobre quase-amores. falta espaço. sobra antítese.

"we were all in love and we all got hurt"

19 Dezembro, 2006

[Aquilo que Rilo pensou e (por pouco) não disse.]

Caralho, hoje tem um monte de gente, vai encher. Aquele cara parece o amigo do [samba]. Olha, será que é o [samba]? Não... não é possível, seria injusto; desagradável, eu diria..

...

Gente, eles estão conversando até... meio íntimos. Será?

...

Putz, é! É ele! Não acredito! Além de parecer um leão marinho tem uma atitude bunda. Por que?!?! É um puta tempo com um puta merda.

...

- Aquele [samba] é o seu namorado?
- É..
- Nossa, .. . . [sou muito mais eu] que fofo!

16 Dezembro, 2006

distraída inquietação.

então eu não consigo cantar como antes, ao estudar, durmo ou penso em tudo menos no que está na minha fente, o abraço aconchegante que me deixa grande acompanhado de sorriso-inércia praticamente se vai sem se despedir.

e eu só quero gritar. e dizer com a trizteza otimista: boa noite, quer... você.... pessoa querida... era só "boa noite"!. e ponto..

a sua rua está no meu caminho perdido.

10 Dezembro, 2006

lost in translation

olho nariz lábio dentes sorrisos. olhar-inércia.






- pra onde você vai agora?
- buscar o meu namorado.


pois é, então...

03 Dezembro, 2006

"Se essa rua, se essa rua fosse minha..."

A sua rua está bem perto da minha, embora eu não faça a menor idéia de aonde você mora atualmente. E sinceramente, eu gostaria de saber, se você ainda gosta de nadar ao pôr-do-sol, ou de me levar pro parquinho do condomínio, ou nos trancar num quarto secreto, ou pichar o muro de casa com goiaba podre... ou simplesmente do meu cheiro. A sua rua está aqui perto, mas com outro som.

A sua rua está lá naquele condomínio e eu espero não ter que passar mais por perto. A não ser que seja pra te jogar ovo. E não limpar nada, fina e francamente.

A sua rua também, mas sem ovo.

A sua rua é ideal para as minhas corridas... mas exite o medo de me oferecerem um brigadeiro feito com vodka em plena luz do dia, ou me atropelarem com um Vectra... melhor não.

A sua rua está aqui longe e eu adoro revisitá-la, sempre, por puro afeto.

A sua rua está perdida: de mim, dos ônibus e até de você. Agora eu já não sei mais.

A sua rua agora já nem lhe tem e virou frequente ocasional caminho da minha casa, embora curto. Ela tem os mesmos tons cinzas e as buzinas que mais me parecem staccatos; agudos. Ali eu sinto cheiro de chá quentinho, camiseta velha, macarrão com tomate, chocolate, eu ouço um som mal feito numa fita k-7 e vejo janelas à meia luz e sinto os cheiros, principalmente de café. E sinto os gostos... E lhe vejo pela meia-porta-fechando-se do elevador.

A sua rua nem deveria ser mencionada.

A sua rua está aqui ao lado e eu sempre vou vôo quando chove, ou o cheiro de chuva me chama.

A sua rua está perto da padaria e eu prometi a mim mesmo nunca mais disparar por lá.

A sua rua está perto do céu e do inferno, como você e em relação.

A sua rua talvez esteja perto do caminho.

A sua rua talvez esteja perto do presídio.



E eu, ao o que tudo indica, estou na contramão.

15 Novembro, 2006

t e m p o t e m p o tempo te m p o

revisãoensaiotrabalhocoralvestibularamorzeroatraçãoporquemnãodevesemtemer
telescópiomaisalgunscompromissosintensosótimos.

26 Outubro, 2006

"João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava (...)"


...
que amava
... que amava
que amava ...

que amava...


. . . que amava rafael que amava quem amou e quem não deveria amar, que sabia o que lhe causara frisón, mas não sabia se o amava quem amava, que lembrava de imagens que nunca tinha visto do menino no meio de uma aula de literatura que amava e por isso, ele talvez o amasse, mas no canto, ficou ele em sol por quase o compasso inteiro e então... ele só teve uma escolha: cantar o que amava.







e [talvez] esperar.

08 Outubro, 2006

Para todos nós acordarmos mais felizes.

Texto de espaço.











Enfim... o que resta são... [ ] talvez, sambas.



















Mas nada disso importa, se não fossem as ruas, se não fossem os meus impulsos, se não fossem as aulas, se não fossem as armações, se não fossem as máscaras sociais, se não fossem as infantilidades, teríamos que ser iguais a um quadro e se tem algo que eu gosto é movimento físico, concreto, sincero, real, verdadeiro, ileso de passos falsos.
Acho que assim dá.

01 Outubro, 2006

.. .. .. .. .. .............. !

Meu coração bate forte no meu peito e de tanta velocidade me impede qualquer movimento. É tudo na retina te fotografando, tentativa de gravar o mais pra sempre possível enquanto todo o furacão voa involutariamente.

"veio até mim
quem deixou me olhar assim não pediu minha permissão
não pude evitar
tirou meu ar
fiquei sem chão"

Apenas [re]produzo as velhas frases de [re]conhecidos motes.

Talvez eu esteja loucoapaixonadoindecenteobssessivonormal ... talvez eu simplesmente esteja e você me faz parecer.

E aí, Já Vai, ou Já Vem?

20 Setembro, 2006

um copo vazio está cheio de ar.

escreve-sereescreve-seumaduastrêsquantas frases forem necessárias paraodesempre.

21 Agosto, 2006

foi tudo o que consegui escrever durante a aula de história das artes cênicas

Tá rolando uma distração máxima por causa daquele que Já Vem.

Aquele que Já Vem?
Não.
Se...
Sabe-se que tem
Um certo dom de iludir
E eu me curvaria em segredo
O quanto fosse necessário para
Saber
Lhe ter
Eu quero
Já Vem?

"some melodies are better left unsung"


"dê o tempo ao tempo, calma. a alma põe cada coisa em seu lugar e algum dia virá; sem aviso..."

28 Julho, 2006

"devolve aquela minha tv, que eu vou de vez!"

certa vez me disseram: "eu quero ver o rilo na tv!"

coincidências...







textos belgas.

11 Julho, 2006

Auto-abandono.

Quatro e um.
Na televisão passa "Encontro Marcado". Antes fosse o filme de Hollywood, mas é um programa de televisão onde um apresentador metido a sei la o quê tenta rearranjar as vidas de duas convidadas que não conseguem ter um relacionamento amoroso, as solteironas de "No Natal A gente Vem Te Buscar", afff... essa peça, enfim. À esquerda tem o requeijão acabado, metade do pote de cheddar, embalagens de Prestígio, Prestígio edição limitada chocolate e Sedução. Em baixo, copo de coca-cola light vazio, a garrafa tá no chão. À direita tem o Wickbold pela metade.

Xeretei os scraps dele, falei dele com outro pelo msn, pensei em mandar um scrap pra ela chamar ele pra ir no aniversário da Isa e só de ver scraps de dois ou três me pus a (nossa, o apresentador acabou de usar o Tchekov, hahaaha, foi engraçado isso!) mergulhar numa crise profunda de ciúmes por alguém que eu nem ao menos tive uma conversa de 10 minutos.

É incrível como eu, você e todos nós conseguimos ser tão dependentes.
Quatro e sete.

09 Julho, 2006

o que fica?

Aqueles pés já estavam exaustos há pelo menos 28 anos, mas nunca paravam de seguir em frente, voltar, rodopiar, pular, piruetar, saltar, girar nas mais diversas formas. Sapatos duros. Sapatos brilhantes. Sapatos velhos e fedorentos. Tênis baratos. Botas. All Stars. Raramente, chinelos do tipo "havaianas". Não se faz idéia de quantos mais anos, passos, saltos, voltas e qualquer tipo de movimento forçado seriam necessários para aqueles penosos pés pararem. Pararem. E ficarem pro alto e girarem para o sangue circular melhor e se entrelaçarem outros pés diferentes dos anteriores quase todos, aqueles de antigamente que realmente lhe confortavam e lhe massageavam pelo simples peso.

Mas antes do indefinido tempo, houve um abismo sem nem tempo de vertigem. Hoje os pés são vermes.

E o resto... hoje?

02 Julho, 2006

Carnavalesco.

Tenho gosto em me lembrar de como interagíamos naqueles últimos dias, em todas as despedidas, nas alucinações, no descompromisso com o que seria. Tenho em minhas retinas a qualquer momento, todas as suas expressões, sei de cor e salteado todas as roupas que usou até pouco, todas as combinações, todas as texturas, os cheiros, os botões, as dobras, os cheiros, os tecidos, a forma como lhe caíam, os cheiros... A sua voz parece estar sempre na minha nuca, principalmente nas cordas bambas.
Tenho gosto em me lembrar de todos os seus beijos... e beijos pra mim serão sempre indescritíveis, mas dedico o parágrafo a todos eles.
Tenho gosto em me lembrar de tudo, como se vivêssemos novamente a cada nova lembrança. Mas embora eu saiba chegar ao sétimo andar de diversas formas, sempre me perco ao tentar voltar à sua casa.
Tenho gosto de café na boca, mas tem fim.




ainda não descobriram nenhum carnaval que não tenha fim.

27 Junho, 2006

... cada linha

eu quero o meu brinde e imagino que você queria me dar, pelos seus mais de 8 olhares.

eu quero te [verbo indefinido] mais perto e me aproveitar do seu tônus. e da sua simpatia exacerbada.

eu quero chegar mais perto dos seus olhos.

eu quero sentar com você e conversar um pouco sobre o passado. não que eu deseje repeti-lo, mas acho que talvez ele esclareça até o que não imaginamos.

eu quero que aqueles outros três não me amolem mais.


... cada um.


adendo às três (talves 4, mas numa forma distinta) primeiras linhas: "eu quero enfeitar você".

ps: deu vontade de escrever de qualquer jeito, o que viesse. mesmo que fosse chinfrim. e eu deixei ir... aliás, estou deixando, tenho percebido que a cada dia eu nego mais as redes de proteção e mesmo ciente de todo podre que isso traz, eu amo essa situação, porque quanto mais eu me envolvo com tudo, melhor. não gosto das coisas pela metade, as quero o mais inteiras possível. enfim...

24 Junho, 2006

pus

a necessidade de escrever tudo está aqui.

18 Junho, 2006

um dia frio.

Me via forte, bancando a própria solidão como poucos, saindo por aí ao enfrentar medos, com a aparência mais delineada ruborizada intensa, não me abalando tanto e... e me olhou, me sorriu ao sorrir, descensurou, enfim...

É dia de rodamoinho no peito, sem transbordar. No geral, costumam dizer que "tem dias em que nós ficamos muito carentes". Eu acho que esses são os dias em que tomamos consciência da realidade.

E dói.

Além de tudo mais,
traz saudosismo.

"Hope to see this boy I know
I can't wait for us to be alone
Flippin' through the radio

(...)
The songs they play mean more than I can say
(...)
Feel kind of sad now that it's done
(...)
Well you're always a golden boy
In this boy's heart that you destroyed
You smile at me and then you have your fun
(...)
I see him now, at the show
7th in the 7th row
And now you look at me

And see what I've known for so long
It's sad that you can be
So lovely, yet so wrong
(...)
Well you'll always be a golden boy
I'm the boy that you enjoy
Some melodys are best left unsung
I feel the time pass away

But in my songs you'll aways stay
Don't need for you to tell me
I'm the one
You'll never know that I was...
The one"
-Vanessa Carlton (com alterações)

13 Junho, 2006

"eu sou mesmo exagerado..."

"and if i loved you without reference to occasion?"


Eu me encontrei em corpo transeúnte, mas só te procurava ali. Me vi obrigado a negar companhia até para ir ao ponto de ônibus, na desesperada esperança de te encontrar no caminho.
Taquicardias na possibilidade de te rever, afinal, 4 dias já me parecem muito e eu fico aflito, toco e canto melodias vermelhas a todo instante e escrevo textos chinfrins e descompassados.
E você nem lê, não me conhece bem, me olha denso libidinoso, pára e me cumprimenta, me olha denso libidinoso de novo... e é tudo incerto, até a possibilidade de sabermos os nossos nomes, não é mesmo... antes, até...? Incerto, acerta tudo o que devoro, até o amarelo em camiseta que sempre me tira o foco.
"Concretiza isso pra mim". Porque embora eu tenha a conduta considerada lasciva e sem pudores, no seu vento eu fico tonto, brilhandinho...




...
..
...

e que... olhar, rosto, corpo, voz, andar, bailar, libido...


Me dê o brinde e estamos feitos!

31 Maio, 2006

contradizendo... como um digno ser humano.

"Eu só não te convido pra dançar
Porque eu quero encontrar com você em particular
Há tempos tento encontrar um bom momento
Alguma ocasião propícia
Pra que eu possa pegar sua mão, olhar nos olhos teus
Seria bom, quatro paredes, eu, você e Deus

Procuro explicar o meu sentimento
E só consigo encontrar
Palavras que não existem no dicionário
Você podia entender meu vocabulário
Decifrar meus sinais, seria bom

Eu só não te convido pra dançar
Porque o assunto que eu quero contigo é em particular
Há tempos tento encontrar um bom momento
Alguma ocasião propícia
Pra que eu possa pegar sua mão, olhar nos olhos teus
Seria bom, quatro paredes, eu, você e Deus"

juntando pontas.

por que eu nunca me lembro dos nomes dos ossos?
eu trabalho com a arte.
osso da cabeça pra cima,
o que me anima é descobrir "o lado bom da solidão"...
osso perto da bunda pra baixo,
voar até a minha casa para depois se casar? "mano, tô fora!"
espaço entre as costelas,
sinal.
não adianta adorar as minhas conversas e não me interlocutar.
coração pulsante
e que venham os fortes, como eu. não adianta matar boi e não me dar...
líquidos.
quebrar, para arriscar.
respiração
mais densidade e tudo se converge em força. força para desprender, para
esterno libertado.
e a veia pulsa, o sangue corre, a psique se modifica, os olhares ganham.

27 Maio, 2006

voltas revoltas reviravoltas revolucionadas jogadas.

por que eu nunca me lembro dos nomes dos ossos?

osso da cabeça pra cima
osso perto da bunda pra baixo
espaço entre as costelas
coração pulsante
líquidos
respiração
esterno libertado.

e a veia pulsa, o sangue corre, a psique se modifica, os olhares ganham mais densidade e tudo se converge em força. força para desprender, para quebrar, para arriscar.

e que venham os fortes, como eu. não adianta matar boi e não me dar sinal. não adianta adorar as minhas conversas e não me interlocutar. voar até a minha casa para depois se casar? "mano, tô fora!"

o que me anima é descobrir "o lado bom da solidão"...

eu trabalho com a arte.

25 Maio, 2006

a verdade fortíssima é que às vezes o silêncio é mais expressivo do que todas as palavras.

.....

..

..

.

e que você cuide muito bem do seu novo rebanho!

15 Maio, 2006

Bambo

dizem que quando se tem pressentimento, é bom não falar.
da primeira última vez confirmou e mesmo céptico assim, eu me rendo, com lágrima e medo.

11 Maio, 2006

viernes 2 a.m.

saio do ambiente que só me traz o cheiro da sua camiseta, onde estava em busca do meu brinde e venho para a casa, onde dou a todos a sensação de uma noite fria e pesada de sono. espero mais uma hora e muitos e sei que o telefone toca aquele som só seu. a noite é densa, nostálgica, a noite é só de quem se quer. desmascare-se em mim; pra mim. e não pense que não tem fim.


"eu acho que eu sempre vou ter um defeito..." - eu. não, não vou ter. e hoje me invadiu a certeza certeira. não vou ter. tem fim definido por brindes, chuvas, flores, enfim, tem fim.

04 Maio, 2006

"Anti".

se sentou na desconfortável despertadora carteira de madeira.
fez 3 seções seguidas de palavras cruzadas.
bebeu 25 copos de groselha.
urinou 2 litros.
andou 4,87290876 quilômetros.
trocou 10987 olhares com 9982 pessoas.
deu 872 beijos.
cantou 522 canções
teve 23 profundas conversas filosóficas e 8 filosóficas conversas profundas.

e no final do dia, fez uma visita ao semi-vizinho, que possuía alguns milhos espalhados por toda a casa, mas não eram espigas, eram milhos soltinhos. no meio da chuva.
- Você veio me cobrar os dois reais e trinta e quatro centavos que eu tô te devendo?
- Não, deu vontade de te sambar um pouco.
- Sambar?
- É, sambar. Você não acha que anda parado demais, marido demais, sem sal de muito mais?
- Eu acho que você não tem essa propriedade.
- Eu vejo o que você não quer.
- Tchau.
- Então, fecha a porta.
- Você é vermelho!
- Vou jogar bola.
- Espera! Vem aqui, toma um copo d'água.
- E depois?
- O quê?
- Deixa eu te sambar um pouco?
- Não quero.
- Eu quero enfeitar você.
- Não quero.
- Eu quero te mostrar as cores que não vê no seu quarto.
- Não.
- Viu só? Você quer.
- Entra logo.
- Não, fica pra outro dia.
- Entra logo, pára de graça!
- Tá.
- Tesão.
- Te amo.
- Também.

oi, hottie!

são pequenos momentos intensos, "flashes" que duram aproximadamente 3 segundos e uma conversa no boteco; e um tocar nos quadris; e um olhar de olhar outro; e um outro olhando olhar de olhar outro; e uma obsessão; e um rosto. e que rosto! e um corpo. e que corpo! e um outro olhar; e um "oi!"; e um beijo cordial. e como está quente...!

17 Abril, 2006

__________________(...

Eu posso ser louco, mas não de pedra, nem de ferro.

Eu sinto saudades do meu cachorro.

Eu tenho as minhas memórias guardadas nas mais diversas formas, mas de certa única forma, em certos nanosegundos elas todas, sem nenhum reparo, me vêm como uma grande nostalgia infantil; sérpia.

Tem dia que dá vontade de não ser um pouco. Tem dia em que só se quer um respiro, um sussurro, um sorriso, um copo, um corpo.

Tem dia em que não se quer ter.

09 Abril, 2006

sina assim.

era o irreal.
agora não mais.

mas se não fosse assim, então não seria comigo.

nem vem que não tem...
depois dos dois, nenhum alguém com ticos-ticos chega até aqui.

"before... if you will stay with me."


e eu até me esqueci das chaminhas (me refiro ao momento em que escrevo) se não fosse a música tocando lá embaixo, eu nem as citaria. realmente, estive alucinando. estivemos.

e ele resolveu caminhar por mais algumas horas, sem nenhum pensar, nenhum pesar. até que se deu conta do frio úmido que simplesmente existia. num estalo. correu na fracassada tentativa de secá-lo. foi até a ladeira atrás do comércio, parou: se apoiou; contemplou. sentiu-se mais úmido e então foi ao lar. ele queria saber da onde o mesmo sempre retornava e se algum dia o deixaria de assim vir. mas era tudo frio. mas era tudo úmido. e escurinho.

01 Abril, 2006

"Conversa de Botas Batidas"

- O que você quer desse cara?
- Quero conquistá-lo.
- Mas então por que você foi tão escroto com ele?
- Na hora o meu objetivo não era esse, ele sempre oscila entre mim e a namorada e isso me deixou profundamente irritado, então na hora eu realmente não queria nada. Mas ainda quero conquistá-lo. Eu tinha ido em frente, mas naquela hora me veio uma necessidade de saber se eu realmente teria que fazê-lo.
- ...

[antes minutos]
segurando o queixo com as duas mãos, expressão distante, afeto, afetado.

[dia antes]
- Oi! Só liguei pra falar que hoje tô na Granja.
- Então eu só quero dizer que a casa aqui ta vazia.

"A gente corre pra se esconder e se amar, se amar até o fim, sem saber que o fim já vai chegar. (...) Já não há mais motivos pr'um amor de tantas rugas não ter o seu lugar."

19 Março, 2006

As Gotas de Sol (o nosso bem)

Transparência e sempre um
Espetáculo a surpreender
Ontem foi meu amor; me lembra o Garibaldo.

Linda como mais ninguém é,
Instantânea; entorpecente,
Hoje pode-se ver
Amor de olhos fechados.

Berra em voz de batata
Ressoa os mais hilários sons
Ós; is; us; sem querer ela quase abraça o mundo.

Sempre que um empecilho faz me perder por ruas afora,
Sei de um lugar em mim que me leva até as gotas de sol
E aí está bem...

As gotas de sol te levam aonde bem entenderem,
Desde que seja para o nosso bem,
O nosso bem.

12 Março, 2006

... (...) ..

Toma, pode pegar, é pra você. Anda, não me venha com pesares, pega logo! Toma tudo o que tem nesse copo. Tá quente, você não tá sentindo o cheiro? Olha essa mini-nuvem, não te lembra de nada? De preferência, beba tudo de uma vez, por favor! E sem rodeios, que eu quero ver o homem que você esconde aí atrás desse que você veste todo dia de manhã. "Mas pra sacudir, levante."
Eu só queria te dizer que a rodovia pára, eu não. "Eu só quero dizer que eu não sei nada de você, não sei muito de mim também".

E quanto a você outrém, eu te vi torto, você me viu com pouca nitidez e é sempre assim que as loucuras, sejam autistas, sejam altruístas, sejam promíscuas, sejam duplas, começam. Mas é necessário o além do que se vê, que de longe tens uma bela silhueta e de perto, me parece um primo mais novo.

E ... eu .. que .... ..... ..... .......... pra ..... e me ..... porque ........ vide ... ...... .... dela ............ daquela ...... e aí, ............ ? Então, ..... . . . ... ...!

" (...) ... "

26 Fevereiro, 2006

não me atrevo a dizer do que é feito o [samba]

Sistema de auto-defesa: [samba]

...

Ele foi lá, ela veio pra cá, eu fui pra lá, eles foram ali, a vaca surgiu de acolá, vim parar ali, ele seguiu o boi, a vaca seguiu o boi, ela ficou aqui, eles resolveram ir embora desconfiados, ele veio pra cá, ela foi para acolá, eu fiquei mais um pouco lá.
"Eu tô me sentindo podada!"


...

- Eu quero te ver! E te ter! Eu quero você!
- Sexta-feira, de acordo?
INTERRUPÇÃO: tentativa de extupro; boi na linha; bases desfeitas temporariamente.
mal-humor, má impressão e descaso com toda a situação.
Boi, vou te matar e fazer churrasquinho. Mas de tanto nojo, irei deixá-lo queimar e jogar tudo num lixo especialmente sujo e ainda assim, terei pena; do lixo. Do lixo.

...

-Fica quieto! Não reclama!
-Vai pro inferno!
-Você não passou!
-Aí é que você se engana, chatisse!
-Eu o quero.
-Mas eu que tenho.
-Quê?
-Nada, você não entende nada, você não é nada além de um dente ambulante. Ele foi pra lá.
-Ah éahn?
-Ainda bem, porque eu ainda o tenho e você vai bolinar outro(s vários).

...

- Aaaaah, oi!
- [repulsa]
- Eu sei muito bem quem é você.
- Nem tanto.

...

- Pra você, tudo é exagero.

...

- O seu sorriso...
- Ah... [vergonha]
[borboletinhas no estômago]

...

...... sabe, samba.

11 Fevereiro, 2006

Mais um! Mais mesmas!

O menino chorou.
O menino se trancou.
O menino jogou todas as duas almofadas azuis no chão e as socou, se ajoelhou, gritou sufocado, abraçou o seu pai e chorou como há muito tempo.

Escola de teatro durante 2006, turma agradável (pura sorte! ufa!), prova de bolsa pro seu segundo ano de cursinho.

E frases vindo de vacas falantes... essas são as mais absurdas... é o destino, é a chuva com seu cheiro ao chegar do teatro, é a fofoca sobre um alien...

Ano de mais cursinho, teatro técnico... e mais do mesmo de vacas, mais mesmas vacas, mais mesmas sinas.

O menino vai ficar triste. Mas o menino vai gozar.

.
.
.
.
.
.
.
.


E o nível de aceitação começa a aumentar, mas ainda prefiro escrever um pouco em terceira pessoa. Terceira pessoa. Afeee.

31 Janeiro, 2006

Rilo Irritado

[um grande samba]

27 Janeiro, 2006

"o quê dos quais e poréns"

as cenas
os olhares
as viagens
os pedidos de bolsa
a não-vontade
as mil falsidades
as pessoas queridas
as pessoas amadas
as minhas atitudes não-esperadas
as admirações
as expectativas
as mil irritações
as dores no corpo
os telefonemas
as mensagens de texto
as ligações de consideração e carinho
a relação profissional
o novo ano
as pseudo-férias
as preocupações burocráticas
a operação no joelho
as músicas
a continuação das "gotas de sol"
os desejos
o inexplicável
o que não se consegue traduzir
o segredo
as expectativas
as expectativas
as expectativas

e a minha inquietude.

21 Janeiro, 2006

R-5

O que se escreve de não-construtivo em folhas de questões durante 4 dias de provas?

1º dia - Português e Biologia
- lembrei! Aquele cara de azul me lembra o Uirá! Nossa, que bizarro... será que é ele?
- Nem 3 horas e já tem gente se mandando.
- O Verlaine do banheiro era ótimo.
- 16:40 » 44 pessoas na sala. 2 desistiram; ausentes... ---------> será que eles queriam cênicas?
- amarelo = hottie
- CARALHO! Não faço a mínima idéia! "Aí, como é que fica?" Vou inventar!
- Eu fiquei com medo... O fiscal me disse que a minha colega me viu. Cruzes!
- PS: passar na carteira amarela e ver letra inicial do 1º nome e carreira. Tem que ser cênicas C e tem que ser garrincha!
- 8 - amarelo - hottie
- Ai meu deus, dei na cara!
- Caneta igual à do Felipe, borracha igual à da Natty Candy.
- Graças a deus, não tem "C"!
- engraçadinhos! depois apanha e não sabe porquê!
- Que ótimo, tenho 1 hora e 10 ainda... já sei! Vou acabar agora e entregar junco com o Verlaine amarelo.
- O negócio é pôr pressão!
- UHUUU! Tô na última folha do caderninho!
- O amarelo... eu quero [samba]
- inferno!
- Nossa, essa expressão facial e esse corpo... HOTTIE!
- BOM, AMIZADES...

2º dia - Química e História
[flechinha em cima de "Química" na capa] - Vai tomá no cú!
- FODEU!
- que saco!
- esqueci quem é você!
- Hoje eu nem tô olhando muito pro Verlaine...
- UFA! Acho que pelo menos essa, eu acertei inteira!
- 16:51
- qto tempo eu tenho? R: Caralhada! 1h e 20! Acho que eu precisava de 2!
- Sabe, o Verlaine tá com a mesma roupa! Até a camiseta! Meio porquinho! Ou será que ele passou a noite inesperadamente fora? Aí é que tá o negócio!
- 15:06 -> já passou 1 hora de prova e eu fiz 6 questões. Como são 4 horas, tá justinho!
- que prova chata!
- [samba] [samba] [samba] [samba] GVVVVVVVVVENTE!


3º dia - Física e Geografia
- Geeeeente, eu preciso descansar a minha mente. O Verlaine só é Verlaine na sala, uma loucura!
- 15:37!!!
- Gente, vou te contar... tô cansado!
- esses dois exercícios são chatos
- Para relaxar, que tal um pouco de Los Hermanos? "Assim que quer, assim será: eu vou pra não voltar. Toma esse anel, que é pra anular o Céu, o Sol e o Mar; Eu não queria ir assim, tão triste, triste... Vem dizer adeus ao que restou do que um dia foi feliz"
- Vamos inventar! Nem tanto! OBA!
- sério, eu tô EXAUSTO! COCô!
- hoje eu TENHO que ligar pra PICY!
- Caralho! 3 ITEMS [sic]! E ainda falta aqueles [sic] de Física! FODEU!

4º dia - Matemática e Inglês
- FIGHT! -----> começar pela6! depois, a 10!
- que nojo! acabei de ver um cofre peludo!
- desce do trono, rainha.
- "porque não deixa de tanta frescura e vem para a rua também?"
- "Ah, tudo bem!"
- "As torres são fatais, mas é só na ameaça!"
- "ERRÔ!" Ainda bem que a Martão me avisou!
- PORCO IDIOTA!
- "Gente, eu preciso ter um filho"; "Gente, meu filho não quer ir embora, preciso de um pau!" HAHAHA!
- Estou num daqueles momentos tensos... que tal um pouco de Los Hermanos para aliviar? "Não dá mais pra mim, pr'eu poder viver assim, não dava mais..." pronto, vamos que vamos!
- Ai meu deus! Nem terminei a 1ª prova e já estou exausto! Ainda bem que hoje é o último dia!

19 Janeiro, 2006

pois é feito.

é a angústia de não saber nenhum resultado, nem comparação.

é a vacilação de quem se quer por querer.

é a sensação de abandono por míseros acentos, silêncios, enfins...

é a depressão pós-prova de forma infantil e insolente pela qual passo agora.

é a saudade, a anciedade, a anciedade da saudade e a saudade de anciedade.

"e ninguém é eu, e ninguém é você. esta é a solidão."

11 Janeiro, 2006

Calma...

Olha, eu te garanto, viu?
Essa agonia, passa.
Essa sensação de abandono, ô se passa!
A raiva sem motivo digno, os ciúmes descontrolados, as previsões dilaceradas, a sensação da perda de uma amizade, a ansidade por qualquer evento que seja, a dor de barriga, a coceira irritante no olho direito, esse calor, essa falta de um humano, a incerteza, a preocupação por quem se gosta muito, a preocupação de a preocupação por quem se gosta muito seja exagerada... enfim... Passam, passa.

PA SSA.
PA SSA
PA SSA
A SSAP
PA SA S
A SAP S
A SSAP
A SSAP...

E você, você com certeza, PASSA!
Ele, já passa o tempo de passar!
E aquele outro, passou o passar pós-pranto.
Agora... tem uns aí... que hão de passar.
Mas só pra não correr o risco do esquecimento: ele, já passa o tempo de passar!

"Veja você, quando é que tudo foi desabar... A gente corre pra se esconder e se amar, se amar até o fim. (...) Vem, vamos além. Vão dizer que a vida é passageira sem contar que a nossa estrela vai cair."

Passará aqui para passarmos à limpo? Ou já passou...

De qualquer forma, vai passar.
Feito, feliz.

08 Janeiro, 2006

o pré-depois

Uma hora,
Dois (ou três) amores;
E a Ana Carolina, meio brega como sempre, canta frases coincidentes com essa história....

"talvez eu passe um tempo longe da cidade; talvez eu volte cedo, ou não volte mais"

"eu queria tanto mudar sua vida, mas você não sabe se vai ou se fica"

"para sempre é sempre por um triz"

"eu vou contar pra todo mundo, eu vou pichar sua rua".


É o quase-adeus.

eu sei, tu sabes... puro suspiro sem nenhum pensar.

...

o que 46 horas não fazem?
já não me importa!

me importa você usando o meu chuveiro
e eu me explodindo por dentro totalmente escondido
me importa o seu telefonema na hora certa
me importa o que faremos assim que eu acabar de escrever essas tolices gratuitas, assim que ouvir parar a água.
me importa o seu sorriso, sempre instigante.
me importa tudo aquilo que lhe entreguei em papel, tinta e fogo.
me importa o momento em que nos separaremos definitivamente.
me importa essa sua verdade enrustida.
me importa a sua decisão prevista.
me importa os seus cheiros, as chuvas.
me importa o teu suingue, as nossas danças, os bailados de vela queimando.
me importa o agora.
me importa a certeza que me deu do depois.

me importa o silêncio deste exato momento.




me importa parar de escrever.


me importa a casa vazia, o quarto cheio e tudo mais.



... você sabe de tudo. e eu também; aproveitemos e que...!

06 Janeiro, 2006

Porque no final das contas...

Olha, eu vou ficando por aqui por pouco tempo.
Vê se não chora, se não telefona, se não me atormenta... a não ser que seja pra vir comigo.

É bem simples. Pra você também é, abre melhor esse olho esquerdo, que você vai enxergar perfeitamente. Adoce menos a sua torrada, eu te busco de bicicleta e a gente vai pra lá!

E é isso; feito.

02 Janeiro, 2006

"aí, como é que fica?"

tic
tac...

pumft;

pá...

zup!


amável diálogo da madrugada de ano novo
- Eu acho que essa coisa toda de ano novo acaba sendo mais um truque barato psicológico, hoje é só um dia a mais, que é um dia a menos; e nos fazem acreditar que as energias são renovadas, que tudo pode mudar num novo ano de um calendário cristão, mas não é isso que nos move de verdade. Mesmo assim, eu caio nessa e penso em renovar algumas coisas e telefonar para pessoas queridas e amadas como você. Ah, feliz ano novo!
- Aham... agora, acho que vou desligar, porque [samba!].
[resposta que está entalada] - Ah, é mesmo? Bom, pensa bastante em mim então, hein?! Porque só assim é que você vai conseguir!

Mas a piscina estava movimentada por amor, ansiedade, tristeza, otimismo, calor e inexplicáveis sensações que me fazem desejar um ótimo ano novo para nós e o resto do mundo.

26 Dezembro, 2005

Fúria de graça.

Essa sua cara de pseudo-sofrimento me dá nojo. Você é medrosa, você é cínica, você não assume NADA a não ser que seja apoiada por alguém que te carregue, sempre. Você nunca sabe de que lado ficar até alguém te dar mais regalias fúteis. Você não luta por nada, a não ser batalhar o máximo para conseguir tudo de mão beijada. Você desiste de seus sonhos. Você faz de tudo para ser a atração principal em qualquer situação não se importando com nada nem ninguém, você é a pessoa mais egocêntrica que eu já pude sonhar em conhecer. Você é de plástico reciclado. As suas lágrimas são de crocodilo. A sua verdade é vergonhosa e vagabunda.

E por eu ter escrito tudo isso sobre você, alguma coisa sua ainda resta dentro de mim, sim eu ainda lhe considero de alguma forma, minha linda... Na forma de ódio reprimido em mínima consideração a o que você tentou fingir ser.

25 Dezembro, 2005

...é de verão.

Os antecedentes não interessam, apenas servem para adiar aquele furacão que se deu em mim quando o vento veio veloz, as flores muitas caíram ali no asfalto mal-feito da rua, e os primeiros pingos trouxeram aquele cheiro:

veio vento
veio chuva
veio você.

Como eu pude ser tão insensato e nunca ter percebido? O seu cheiro é de chuva... eu não consigo parar de repetir pra mim mesmo. É chuva feita de ferida cheia de felicidade de chão; de terra molhada. É a chuva que só quer trazer você pra mim.

Abro a janela, sinto a intensa brisa que oscila como a sua respiração, e traz à mim todas as imagens. A umidade lá de fora me chama, a rua vazia, o cheiro; aquele cheiro, a chuva. Como se caísse de um precipício, desço todas as escadas, escancaro qualquer porta e me coloco ali, sentindo sentidos, o seu ar, sua respiração, seu cheiro, seu suor; o vento, o molhado, o quente, a brisa fria; vejo seus olhos, as nuvens espaçosas se movem na velocidade de nós dois; deixo a água penetrar nos meus poros, desejando que venha mais e mais, com a boca sorridente e aberta na esperança de me afogar em toda aquela chuva fresca e densa; os olhos brilhandinho e tudo embaçado, colorido, escorrido; sua aquarela.

Lembre-se de mim também, já que nos restam em breve, apenas as chuvas, as imagens, os cheiros, as canções de "Ventura" e tudo menos mais. Nunca se esqueça daquele seu presente. E a gente fica por aqui enquanto pode.

20 Dezembro, 2005

Opa! É mesmo...?

Eu, Jo, Rudolph, Fe e Me no cursinho. Viraram e me disseram:
- Ei...! Saíram os aprovados da Unicamp, vamos ver!
Que ótimo! Todo mundo passou menos eu, que delícia reviver aqueles momentos típicos de um pós-fuvest!
Mas um fio de esperança me invadiu, já que eu vi no site que para carreiras com provas específicas, como artes cênicas, ainda são convocados, daqui a 5 dias, 20% dos candidatos que ficaram abaixo da nota de corte.
Fui embora meio triste em direção à casa da minha avó, que fica perto do Célia Helena. A rua estava ensolarada e movimentada como nunca, o semáforo jamais ficava vermelho e eu fiquei ali infinitos minutos me derretendo de calor e ódio, estatelado feito poste velho.

- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Meu pai me acordou do meu pesadelo me avisando que fui aprovado na primeira fase.

18 Dezembro, 2005

Bem, fiz hora.

O belo frio, a bela flor; a orelha com saliência; piercing; nomes e profissões em comum; aparência no topo do meu padrão; a língua quase presa que me passa imperceptível; estatura baixa; voz engraçadamente agradável; roupas que lhe parecem exclusivas; olhar penetrante; desenho de mimese na boca; dentes risonhos; os olhares que não se cansam de virem até aqui, enquanto ele simplesmente continua andando com os olhos que me cercam numa intenção jamais decifrada.
....
...
..
.
Desce.
Há quem prefira espantalhos a adoráveis. Não se sabe o quanto quando.

17 Dezembro, 2005

título é fermento de cérebro estragado que vem...

oi vem pra casa nove aulas o chuveiro aquela lembrança declaração vamos jantar ligação duas da manhã bela vista aquela rua apartamento cadê os pais a cama aula de história geral aquela letra a peça faz de conta que ela amava e era amada você tá bem to eu nunca vou deixar eu sei você quer aproveitar o fim né quero e eu acho que alô negão eu te liguei quer uma carona mas eu não tava aguentando de então os números complexos podem ser encontrados no plano de vontade e te liguei e o seu argumento é este ângulo já o seu módulo bom eu acabei de chegar em casa é o pitágoras deste triângulo jk e o plano de metas então se você quiser vem me buscar mas amanhã segunda guerra mundial stalinismo porque a idade média a diferença entre suserania e vassalagem eu tenho cursinho e você tem que me levar lá ah eu tava com saudades disso e eu tô confuso sou eu e é você e mais ninguém e a gente corre na corda bamba do perigo mas rilo você sabe i will aways be waiting oi pré-bixo tô na ansiedade da lista não passei porra se passasse na fuvest eu estaria feliz seu bosta que eu sempre vou mas nessa questão vocês não precisam citar a primavera dos povos e tudo mais porque pensar em você.



"Juro, acredita em mim - a sala de visitas estava escura - mas a música chamou para o centro da sala - a sala se escureceu toda dentro da escuridão - eu estava nas trevas - senti que por mais escura a sala era clara - agasalhei-me no medo - como já me agasalhei de ti em ti mesmo - que foi que me encontrei? - nada senão que a sala escura enchia-se da claridade que se adivinha no mais escuro - e que eu tremia no centro dessa difícil luz - acredita em mim embora eu não possa explicar - houve alguma coisa perfeita e graciosa - como se eu nunca tivesse visto uma flor - ou como se eu fosse a flor -" Clarice Lispector
 
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